About Gamala Cruise Phinisi
Mantemos a proa baixa ao nos aproximarmos de Batu Bolong nesta época do ano. A correnteza atravessa o canal com força e, mesmo em um casco de 18 metros como o do Gamala Cruise Phinisi, você precisa acertar a maré. Navegamos nessas águas desde que as monções mudam em novembro e, no fim da tarde, quando o vento aperta ao largo de Sangeang, você aprende a ler os padrões do marulho no flanco norte de Komodo Island. Por isso saímos de Labuan Bajo às 14:00 — tempo de chegar a Kelor antes da luz achatar, mas não tão tarde a ponto de o ancoradouro ficar agitado.
O Gamala Cruise Phinisi foi feito para este trecho — não tão longo que perca a intimidade, nem tão curto que seja jogado de um lado ao outro. Com 18 metros, leva duas cabines para reservas privativas, cada uma com janelas emolduradas em teca que se abrem para a brisa. O restante da capacidade de 16 hóspedes se distribui pelos espaços compartilhados — o deck de popa sombreado para cartas e café, a rede de proa se quiser sol nas costas depois da caminhada dos dragões. Mantemos água doce correndo a viagem inteira, não só para enxaguar depois de Manta Point, mas porque o sal gruda forte após um dia na correnteza.
O segundo dia começa em Padar antes do clarear. Ancoramos em Loh Liang às 05:30, bem quando o céu desanuvia sobre a crista leste. A trilha leva uma hora, talvez menos se você acelerar o passo e, às 08:00, estamos de volta a bordo com os motores girando rumo a Pink Beach. Você vai querer seu snorkel aqui — o coral começa a dez metros daquela areia rosada, e ancoramos perto o suficiente para você nadar até lá sem precisar do bote. Após o almoço, fazemos um drift em Manta Point, perto de Komodo Island, deixando a correnteza nos levar pela estação de limpeza. Sem cronogramas — basta esperar a primeira sombra deslizar sob o casco.
No terceiro dia, seguimos para oeste até Taka Makassar. É uma travessia mais longa, mas vale — o banco de areia emerge por volta das 10:00 e, se a maré cooperar, dá para caminhar quase 200 metros costa afora. Servimos frutas e café no deck enquanto os hóspedes flutuam na água rasa. Depois, Kanawa, onde o recife despenca rápido e os peixes-papagaio são altos o suficiente para você ouvi-los pelo snorkel. Saímos às 14:00 para chegar a Labuan Bajo até as 17:00, a menos que alguém avista uma tartaruga perto de Sebayur — aí ajustamos.
Este não é um hotel flutuante. O Gamala Cruise Phinisi não tem ar-condicionado nas áreas comuns, nem compressor de mergulho, nem jacuzzi. O que ele tem é uma tripulação que sabe onde as mantas se alimentam na maré subindo, que praia fica sombreada ao meio-dia e como atracar com vento cruzado em Kalong. Não seguimos roteiros prontos. Observamos a água, escutamos o vento e ajustamos. É assim que se navega Komodo sem pressa.










