About Lamain Voyage 2
Na primeira manhã, acordei antes do nascer do sol não por um alarme, mas pelo tilintar suave das cordoagens e pelo cheiro de café forte vindo da cozinha. Saí descalço para o convés, ainda úmido da névoa noturna, e observei a silhueta das ilhas recortadas de Wayag se definindo contra um céu cor de pêssego. Atracamos tarde na noite anterior, e o silêncio era total — apenas o ocasional salto de um peixe e o murmúrio baixo da tripulação preparando o café da manhã. Parecia menos chegar num barco e mais ser suavemente colocado dentro de um cartão-postal vivo.
O Lamain Voyage 2 é um phinisi de 41,5 metros construído para navegar estas águas com elegância. Éramos oito cabines cheias — na maioria casais e dois mergulhadores solos que se deram bem — mas os espaços comuns nunca pareceram lotados. O convés superior tinha espreguiçadeiras largas sob uma cobertura de lona, onde passei horas com um livro entre uma parada de snorkel e outra. O convés inferior dava direto para a água por meio de uma plataforma de embarque, o que facilitava muito o preparo para os mergulhos. Lembro de notar como a equipe de mergulho já tinha organizado nossos cilindros e coletes antes do café da manhã, cada um com nosso nome marcado.
No segundo dia, navegamos pelo arquipélago de Misool. Primeira parada em Boo Windows — snorkel por uma passagem subaquática estreita onde a luz do sol corta a água azul como holofotes. Mais tarde, ancoramos perto de Farondi e remamos de caiaque até uma lagoa escondida cercada por manguezais. Um dos tripulantes, Pak Dedi, apontou um casal de tubarões-cinzentos-de-barbatanas-pretas descansando sob as raízes. O almoço foi cação grelhado com sambal matah, servido no convés com cerveja gelada. A comida, francamente, foi melhor do que eu esperava — fresca todos os dias, com opções para quem queria refeições mais leves.
No terceiro dia, fizemos uma travessia longa até o Estreito de Dampier. Cheguei a temer enjoar, mas o casco cortou as ondas com firmeza. Parada em Cape Kri — 45 minutos de mergulho sólido entre cardumes de peixes-serra e ouriços gigantes. Um dos guias me chamou a atenção para um cavalo-marinho-anão escondido num coral do tamanho do meu punho. De volta ao barco, enxaguei meu equipamento na estação dedicada e fiquei sentado na proa enquanto seguíamos para Sorong. O mar ficou espelhado, e observei peixes-voador deslizando à frente da proa por quase vinte minutos.
Confesso que não sabia o que esperar de um liveaboard compartilhado. Mas o ritmo funcionou — saídas cedo, mergulhos longos, descanso à sombra, refeições em grupo. O Lamain Voyage 2 não era luxuoso demais, mas tudo funcionava bem: chuveiros frios, tomadas confiáveis, Wi-Fi forte quando estávamos perto de torres. À noite, sentávamos no convés com a tripulação, que tocava violão e contava histórias sobre tempestades no Mar da Banda. Nada encenado. Parecia real.










