About Its Pesona
A primeira coisa que percebi foi o cheiro de madeira úmida e sal marinho ao pisar na doca de Waisai, pouco antes do amanhecer. O Its Pesona já estava ligado, um longo speedboat estilo phinisi de madeira pintado em verde escuro com detalhes vermelhos, baixo na água e feito para cortar os canais. Tínhamos reservado um charter privativo para oito pessoas, mas o barco comporta até 28 — na maioria em passeios diários compartilhados. Não há cabines, claro, apenas bancos acolchoados sob uma lona e espaço aberto na proa para quem quer sentir o vento no rosto. Guardei minha bolsa debaixo do assento, peguei um termo com café indonésio doce das mãos da tripulação e fiquei observando o céu clarear sobre a ilha Gam.
Saímos de Waisai às 07:30, rumo oeste, em direção ao coração da parte mais fotografada do Raja Ampat. A primeira parada foi no cais de Arborek, às 09:00 — um curto passeio até uma torre de observação artesanal, onde um banco de madeira oferece vista completa sobre o recife raso, como uma sacada particular. Crianças da aldeia já estavam lá, sorrindo e acenando. Fizemos snorkel na popa do barco, em águas tão claras que dava para ler os padrões de um nudibrânquio a três metros de profundidade. A tripulação montou uma corda flutuante com bóias, perfeita para quem está inseguro na natação.
Ao meio-dia, chegamos a Cape Kri, onde a corrente é forte no gargalo de coral. A tripulação fundeou no abrigo do ponto, distribuiu cintos de lastro e ganchos de recife, e nos guiou para dentro do fluxo. Cheguei a contar sete espécies diferentes de cavalo-marinho-anão em um único gorgônio. O almoço foi servido a bordo — filé de mahi-mahi grelhado, salada de pepino e tomate, arroz cozido em folha de bananeira — comido no convés, com sal nos lábios. Não há cozinha completa, apenas um fogareiro e bancada de preparo sob a cobertura da popa.
À tarde, seguimos motorizados até Wayag, chegando por volta das 15:00. A trilha para o mirante famoso é íngreme — 150 degraus esculpidos na rocha — mas a vista cala qualquer conversa. Você vê um labirinto de ilhotas em formato de cogumelo, lagoas turquesa e oceano aberto até o horizonte. Passamos quase uma hora lá em cima, fotografando, depois retornamos ao barco para um cruzeiro lento de volta ao continente. Pouco antes do pôr do sol, paramos em uma enseada abrigada perto de Yenbuba, onde a água ficou dourada e a tripulação trouxe um balde com mamão e abacaxi frescos. Sem música, sem anúncios — apenas o som da água batendo no casco e alguém rindo baixinho. Parecia a forma certa de encerrar o dia.
De volta a Waisai às 18:00, desembarcamos sabendo que tínhamos visto a espinha dorsal do Raja Ampat em um único dia longo e intenso. Não era luxuoso, mas era autêntico — um barco de trabalho com tripulação experiente que entende as marés e a tectônica deste lugar. Se você quer cobrir distância, ver recifes de verdade e sentir o vento no cabelo sem o custo de um liveaboard, o Its Pesona entrega.










