About Sea Runner
Ligamos os motores ao amanhecer, os dois diesels da Sea Runner entrando num ronco firme enquanto cortamos o Estreito de Bajau. De Labuan Bajo, vamos direto ao Manta Point — não mais tarde, sem atrasos, mas cedo, quando as mantas estão mais ativas e a superfície está espelhada. Isso não é um liveaboard com cronogramas arrastados; é uma operação precisa. Calculamos as correntes no momento exato, chegando antes da multidão e garantindo uma hora completa na água, com os pontos de limpeza fervilhando logo abaixo. Você vai ver as asas escuras circulando, deslizando perto, às vezes dando um giro sob sua máscara.
A Sea Runner foi feita para isso — rápida, estável e sem excessos. Uma cabine privativa fica a ré, espaço suficiente para um casal ou viajante solo que queira proteção do sol. Mas a maioria dos nossos hóspedes fica no convés: a proa é ampla, com espreguiçadeiras acolchoadas posicionadas para enxergar o fundo, e o solário tem sombra montada em trilhos deslizantes, para você nunca ficar totalmente exposto. Levamos cilindros, lastros e equipamentos de snorkel — tudo organizado e pronto. Nada de perder tempo enquanto as mantas seguem seu caminho. Nosso guia entra na água com você, indicando os pontos de limpeza perto dos recifes, avisando quando um macho grande volta a aparecer.
Às 10h30, deixamos o Manta Point e seguimos sul pela costa da Ilha Komodo. Não desembarcamos aqui — sem trilhas para ver dragões, sem caminhadas — mas passamos perto o bastante para ver os cumes onde os monitores patrulham. Depois, rumo oeste até Pink Beach. Ancoramos em águas rasas, logo dentro da enseada, onde a areia tem um leve tom coralado sob o sol do meio-dia. Você entra nadando, sem necessidade de bote. Não há bar, nem música, apenas o som das ondas e talvez alguns barcos ao longe. Servimos o almoço embalado aqui — arroz, peixe grelhado, frutas — mantido fresco desde a partida em caixas térmicas.
No início da tarde, estamos de volta em movimento, contornando a ponta de Rinca em direção a Sebayur. A água escurece, e ficamos de olho nas barbatanas dorsais — não tubarões, mas golfinhos, que muitas vezes surfam na proa. Não prometemos avistamentos, mas em dois de cada três passeios eles aparecem. Em Sebayur, largamos âncora a 15 metros, com os declives de coral começando logo atrás do barco. Nosso guia confere o relatório do recife da manhã — cardumes de peixes-batata ainda perto do saliente, um wobbegong avistado no canal de areia — e orienta os snorkelistas. Ficamos até as 16h30, depois fazemos a travessia de 90 minutos de volta a Labuan Bajo, chegando antes de as luzes do porto acenderem.
Esta embarcação não finge ser o que não é. Não é para quem busca jacuzzis ou camas king. É para viajantes que valorizam tempo na água, equipamento em ordem e logística impecável. Nossa tripulação de três — capitão, marinheiro e guia — conhece cada porta de mar entre Gili Lawa e Nusa Kode. Ajustamos horários de saída em cinco minutos conforme a ondulação na entrada do canal. E sim, temos Wi-Fi — instável, mas suficiente para mandar uma mensagem rápida do Manta Point antes de se desconectar. Quando o sol tocar o horizonte e estivermos deslizando sobre águas lisas de volta à cidade, você vai saber que valeu cada minuto.










