About Supraba
Colocamos a proa do Supraba contra a corrente ao cruzar de Misool para Wayag no primeiro clarão do dia — 72 metros de casco exigem águas limpas à frente, e nosso capitão faz essa rota desde 2005. Nesse comprimento, o balanço é mínimo mesmo quando o mar de Arafura fica agitado, o que faz diferença na hora de montar câmeras para fotos macro no cais de Arborek ou preparar o equipamento no deck de mergulho. Não foi feito para os rasgos de maré de Komodo; este barco vive em Raja Ampat, onde seu tamanho nos permite carregar mais cilindros, rebreathers reservas e um bote completo para desembarques em pontos remotos de fundo escuro.
O layout é único — apenas uma cabine. Isso significa charter privativo, nada de grupos compartilhados. O espaço ocupa toda a boca do barco, com banheiro privativo e acesso direto ao convés, pensado para expedições prolongadas. Fazemos roteiros de várias semanas ligando os Four Kings à ponta sul de Waigeo, ancorando em zonas de águas azuis onde embarcações menores não conseguem permanecer. Nossa equipe de mergulho conhece os padrões de ressaca em Boo Windows e a janela de maré parada em Melissa’s Garden — o briefing é dado com café na mão, não por megafone.
Numa viagem recente, ancoramos a sete milhas da baía Aljui para evitar o aglomerado em Manta Sandy. Os hóspedes se equiparam às 05:45, e calculamos a chegada para coincidir com os primeiros raios de sol no ponto de limpeza. Nenhum outro barco à vista. É o que 72 metros proporcionam: autonomia de combustível para ir aonde há silêncio, e capacidade de cilindros para mergulhos consecutivos sem intervalos longos na superfície. O compressor só para à meia-noite, não no meio da tarde.
Os roteiros mudam com o monção. De outubro a abril, estamos baseados no Estreito de Dampier — Cape Kri, Sardine Reef, Nudibranch Rock — tudo a menos de 45 minutos de bote. De maio a setembro, reposicionamos para os atóis de Misool, usando a fase da lua para programar deriva em Hengki’s Hole e canais estreitos em Arborek Passage. O Supraba não faz circuitos fixos de 3D2N. Está em charter, e nos adaptamos a correntes, tempo e ritmo dos hóspedes.
O deck solar é desimpedido — nada de cilindros empilhados, nem varal de roupas. Só teca e sombra, com uma mesa única para quatro. À noite, montamos a popa para mergulhos noturnos ou encostamos num ilhote de mangue para observar a bioluminescência. Não tem bar, nem sistema de som, nem academia. Isso não é um hotel flutuante. É uma plataforma de imersão, onde cada decisão é tomada por gente que já fez mais de 10 mil mergulhos nestes estreitos.










