About Ocean Pro 2
O sal já estava seco na minha pele na primeira manhã, quando subi para o solário logo após o nascer do sol. Encontrei um canto com um banquinho de madeira e observei a costa de Labuan Bajo desaparecendo atrás de nós, enquanto a equipe da cozinha fritava bananas no café da manhã — o aroma misturado de forma estranha com diesel e protetor solar. Estávamos no Ocean Pro 2, um barco de 38 metros que não tentava ser um palácio flutuante, apenas sólido, com convés amplos e feito para navegar nessas correntes sem complicação.
A primeira parada foi na Ilha Menjerite, por volta do meio-dia. Deixamos nossas malas na cabine — eu fiquei com a Twin Ocean View, simples mas seca, com uma janela de verdade que abria e um ventilador que rangia o suficiente para lembrar que estava funcionando. Só havia duas cabines a bordo, então dividimos com apenas outro casal. Parecia menos um passeio em grupo e mais um aluguel privado que, por sorte, cabia no orçamento. O banco de areia de Menjerite estava vazio quando chegamos, e o tivemos por quase uma hora antes de outro barco aparecer ao longe.
Padar Island ao amanhecer foi o momento em que entendi a grandiosidade deste lugar. Subimos no escuro com lanternas na cabeça, o caminho solto e íngreme, e chegamos ao topo justo quando a primeira luz rachava o horizonte. O sol nasceu atrás de Komodo Island, pintando as colinas com listras douradas e avermelhadas. Mais tarde naquele dia, caminhamos pela trilha da estação do guarda-parque no Komodo National Park, mantendo distância enquanto o guia vasculhava a vegetação rasteira em busca de dragões. Vimos três — um macho imponente tomando sol perto de uma poça d’água, outro cavando na lama e um mais jovem correndo entre as rochas.
Snorkeling em Manta Point foi caótico da melhor forma. Cinco ou seis mantas circulavam abaixo de nós, algumas deslizando a poucos centímetros dos mergulhadores, outras virando abruptamente em direção às águas profundas. A correnteza era forte, então nos seguramos na linha traseira do bote e deixamos que ela nos puxasse pela borda do recife. Naquela noite, ancoramos perto de Kalong Island, o céu ficando roxo enquanto milhares de morcegos frugívoros iniciavam sua exodus noturno. Observamos do convés da frente, descalços, ainda molhados do último mergulho.
No nosso último dia completo, navegamos até Taka Makassar. O banco de areia era tão raso que dava para andar por minutos sem a água passar dos joelhos. Cardumes de peixinhos nadavam em volta dos nossos tornozelos. À tarde, nadamos até o paredão de Kanawa Island, onde o recife mergulhava no azul. O bote do barco nos soltou com uma boia de marcação, e flutuamos de volta em direção à âncora, passando por tartarugas e um tubarão-cinza enrolado sob um saliência. De volta ao Ocean Pro 2, a tripulação serviu peixe grelhado com sambal e salada de pepino enquanto o sol tocava a água.
O barco não era luxuoso — sem ar-condicionado nas cabines, sem banheiros privativos — mas não fingia ser. Tinha o que importava: corrimãos firmes, áreas sombreadas no convés, equipamentos de snorkeling limpos e uma cozinha que mantinha o café quente e as garrafas de água cheias. Voltamos a Labuan Bajo pouco depois do meio-dia no terceiro dia, queimados de sol e em silêncio, já folheando fotos como se tivéssemos perdido algo.










