About King Neptune
A primeira coisa que notei não foi o teca polido nem o ar-condicionado silencioso ligando ao pisar a bordo — foi a precisão da tripulação ao zarpar do porto externo de Labuan Bajo. Deslizamos entre os barcos de pesca às 15:47, justo quando a luz começava a suavizar sobre os telhados de concreto de Bajo, e em vinte minutos a terra firme já se dissolvia numa névoa atrás de nós. King Neptune, recém-lançado em 2024, não estava se exibindo; simplesmente fazia o que um bom phinisi deve fazer — nos levar com tranquilidade até Menjerite, o casco cortando uma esteira firme contra a corrente.
Às 17:30, estávamos fundeados à sotavento da ilha Menjerite, irmã menor de Kelor, com o sol da tarde projetando sombras longas sobre os declives de coral. A equipe de mergulho já tinha preparado todo o equipamento, mas o que impressionou foi a precisão: cilindros alinhados com reguladores na mesma direção, lastros presos e etiquetados. Entrei na água pouco antes do pôr do sol e, na luz dourada, um par de peixes-emperador pairava perto de um recife enquanto tubarões-lixa deslizavam para o azul. De volta ao convés, uma cerveja artesanal gelada apareceu sem que eu pedisse — pequenos gestos, mas que construíram confiança.
O segundo dia começou às 05:10 com uma toalha morna e um termo de café forte entregue no convés superior. Tínhamos fundeado em Padar no escuro, e agora a crista leste pegava fogo. A trilha não é longa, mas a vista do topo — três baías se abrindo em tons diferentes de turquesa — é daquelas que reconfiguram sua noção de escala. Às 08:30, estávamos na própria ilha Komodo, onde os guardas nos guiaram em fila única pela savana seca. Os dragões não estavam em espetáculo; um descansava sob uma árvore, mal piscando enquanto um jovem atacava um lagarto que passava. Nada forçado, apenas observação.
O almoço foi servido no convés traseiro sombreado: atum selado com sambal matah, salada de mamão e milho grelhado. A cozinha trabalha rápido, mas nunca parece apressada. À tarde, chegamos à Pink Beach, onde tivemos a enseada só para nós por quase uma hora. A cor da areia vem de foraminíferos, mas sob a luz do meio-dia parece que alguém espalhou coral moído pela costa. Depois, uma rápida travessia até Manta Point — este perto de Batu Bolong — onde, em minutos, duas mantas grandes circularam a proa, bocas abertas, se alimentando na corrente. Fiquei na água, máscara meio cheia, apenas observando.
No último dia, acordamos novamente com o som da corrente da âncora, agora rumo a oeste em direção a Taka Makassar. O banco de areia surge na maré baixa como um miragem, e entramos caminhando, a água tão parada que refletia o céu como um espelho. Depois, Kanawa, onde o recife despenca abruptamente — mergulhar aqui é como flutuar sobre um precipício. Às 13:00, estávamos de volta a bordo, secando enquanto a tripulação servia coco fresco e abacaxi fatiado. O retorno a Labuan Bajo levou pouco menos de duas horas, tempo suficiente para folhear fotos e perceber como quase não olhei para o celular. Não havia Wi-Fi, e nem precisava.










