About Celestia Phinisi
Aproximamo-nos das ilhotas agulhadas de Wayag ao amanhecer com os motores da Celestia Phinisi quase no mínimo. O último barulho que você quer ouvir é o do motor — é o som da corrente batendo no casco enquanto entramos em Blue Magic, um ancoradouro onde os paredões de coral duro começam a cinco metros e descem até o índigo. Com 45 metros, ela é longa o suficiente para cortar o swell do Mar de Sulawesi com estabilidade, e nossa tripulação de oito pessoas já planeja chegadas assim há anos. Você sente no pé antes mesmo de ver: a Celestia Phinisi estabiliza, o galo canta na proa, e o primeiro bote salva-vidas desce às 06:45.
Este barco foi construído para Raja Ampat, não adaptado depois. As linhas do phinisi não são só estética — cortam as correntes cruzadas do Estreito de Dampier como uma lâmina. Planejamos nossas travessias entre Waigeo Sul e Waigeo Norte para que os hóspedes não passem os dias de mergulho balançando no swell. A bordo, mantemos sete cabines, cada uma com vigias abertas e controle individual de clima — sem divisórias compartilhadas por onde o som passe. O salão principal se abre totalmente para o deck traseiro, onde os hóspedes tomam café observando tubarões wobbegong descansando sob a plataforma de mergulho. Servimos o café da manhã depois do primeiro mergulho, não antes, porque ninguém quer mingau às 05:30 enquanto os pelágicos de Blue Magic estão em movimento.
Ao meio-dia, a cobertura de sombra do solário é acionada. É quando os não mergulhadores saem de stand up paddle até os manguezais perto de Piaynemo, enquanto os mergulhadores certificados fazem sua parada de segurança a 5 metros com cardumes de fusiliers girando acima. Temos dois compressores e um banco de 200 litros para mergulhadores técnicos, e nosso guia registra todos os pontos com GPS para não derivarmos para zonas restritas perto de Sofflori. O cabo do wakeboard sai do portal de popa — apenas quando o mar está calmo, e nunca durante a ancoragem. Já vimos muitos barcos riscarem o fundo do mar por conveniência.
Chegadas ao entardecer em Wayag Lagoon significam drinques no deck superior enquanto as torres cársticas ganham tons rosados. Não atracamos em cais, a menos que o combustível esteja baixo; preferimos ancorar entre 12 e 15 metros com um gancho tipo Bruce de 100 kg e 120 metros de corrente. Nossa cozinha funciona com GLP, não com queimadores a diesel, então o ar permanece limpo. As refeições são um híbrido indonésio-europeu: pense em caiçara grelhado com geleia de tamarindo e verduras locais refogadas em óleo de coco. A sobremesa costuma ser bolo de mandioca caseiro, servido enquanto as primeiras estrelas aparecem.
O retorno a Sorong é feito na maré morta, passando pelo estreito. Informamos os hóspedes na noite anterior: arrumar as malas até 07:00, café da manhã às 07:30, motores ligados às 08:15. Nada de correria. A tripulação leva as bagagens ao bote, e chegamos ao terminal às 10:00. Para hóspedes frequentes, começamos a deixar uma garrafa de arak local na cabine master — só para marcar que lembramos quem prefere a cabine no lado bombordo, longe do sol da manhã.










